Se você sente dificuldade para abrir a boca, estalos, zumbidos e dor na região próxima do ouvido, dor de cabeça ou cansaço para a mastigação dos alimentos, pode estar apresentando uma disfunção na Articulação Têmporo-Mandibular (ATM).

A Disfunção da ATM é o funcionamento anormal dessa articulação localizada na frente dos ouvidos e que conecta a mandíbula ao crânio. Qualquer anormalidade nas estruturas que compõem essa articulação (ossos, cartilagens, músculos, ligamentos ou nervos) pode gerar uma instabilidade nessa região, e por consequência, dor e limitação funcional.

Os problemas mais comuns relacionados com essa doença articular são o bruxismo (apertamento ou ranger dos dentes) e a má-oclusão (mordida inadequada). O bruxismo normalmente está relacionado com o estresse, a depressão e a ansiedade, ou ainda como resposta a alguns eventos traumáticos. Já a mordida inadequada, ou má-oclusão, está particularmente relacionada com falta dos dentes, apinhamentos dentários ou crescimento desproporcional dos maxilares (prognatismos ou micrognatismos).

Essa disfunção atinge com maior frequência o sexo feminino, na proporção de nove mulheres para cada homem. As causas geralmente são associadas à maior exposição ao estresse, mudanças hormonais durante o ciclo menstrual e gravidez e alterações anatômicas.

Os diferentes sintomas relacionados com essa disfunção, principalmente as dores de cabeça e de ouvido, geralmente dificultam o diagnóstico. O individuo pode fazer uma peregrinação por diferentes especialistas e realizar diversos exames antes de procurar o dentista e descobrir a causa do seu problema. Por isso, apresentar alguns desses sintomas é motivo suficiente para buscar um diagnóstico diferencial multidisciplinar com um dentista.

O diagnóstico da ATM se baseia em vários exames clínicos, como a mensuração da amplitude dos movimentos mandibulares, a avaliação dos músculos mastigadores e o engrenamento dos dentes. Radiografias, tomografias e ressonâncias magnéticas também são utilizadas.

Muitos nomes são dados a esse problema, como Disfunção de ATM ou Desordens Têmporo-Mandibulares (DTM), Síndrome da Dor Miofascial ou ainda Síndrome de Costen. A confusão em torno dos nomes também se reflete na dificuldade do tratamento dessas articulações.

O tratamento inicial consiste basicamente no alívio da dor, que pode ser promovido por meio de fisioterapia local, uso de antiinflamatórios, uso de alimentos mais macios e placas miorelaxantes. Os alimentos macios contribuem para que a mandíbula e os músculos descansem, dessa forma é conveniente evitar alimentos mais consistentes como carnes bovinas e alimentos com muitas fibras. Mascar chicletes excessivamente é definitivamente desaconselhado para esses pacientes.

Exercitar a mandíbula, abrindo e fechando lentamente a boca e movendo lateralmente pode melhorar a mobilidade, desde que não cause aumento da dor. Nesse caso, os exercícios devem ser descontinuados. Técnicas de relaxamento também costumam dar bons resultados.

Além do uso de medicamentos e da fisioterapia, a estabilização da mordida do paciente é preponderante para o controle e cura desse problema. O uso de placas miorelaxantes visa essa estabilização para que outros tratamentos definitivos, como ortodontia, reabilitação bucal e até mesmo a cirurgia, possam promover a cura.

A cirurgia só é indicada por um Cirurgião Buco-Maxilo-Facial quando há uma desarmonia no crescimento dos ossos dos maxilares e, por consequência, uma desarmonia na mordida do paciente (cirurgia ortognática) ou quando há alguma patologia articular que necessita de tratamento cirúrgico reparador.

De toda forma, para ajudar qualquer tratamento, um bom início é reduzir os fatores de estresse que repercutem na musculatura. Para isso, investir na qualidade de vida é o primeiro passo.