Roncar durante a noite já não é mais considerado algo normal e inofensivo. O ronco pode ser um sinal de que a sua saúde pode estar com problemas, sendo a apneia obstrutiva do sono e a obesidade os mais comuns.

A obesidade tem sido a responsável por vários males da saúde, como doenças cardíacas, diabetes tipo 2, hipertensão e depressão. A apneia do sono entra nessa conta, embora ela possa ocorrer também em pacientes magros. Acordar frequentemente durante a noite, roncar, amanhecer com sensação de ter dormido mal e passar o dia inteiro sonolento, com dificuldade de concentração, pode ser resultado desse distúrbio. A apneia é definida como uma condição que provoca paradas respiratórias durante o sono. Essas pausas ou “apneias” duram entre 10 a 30 segundos e podem acontecer muitas vezes durante a noite. Quanto maior o número desses episódios durante o sono, maior a severidade do problema.

A doença é relativamente comum na população geral, atingindo cerca de 2% das mulheres e 4% dos homens na idade adulta, porém cerca de 80% dessas pessoas não sabem que sofrem desse grave problema. Se não tratada, pode trazer sérias consequências à saúde do individuo.

Durante o sono, a frequência cardíaca e a pressão arterial caem, para permitir o repouso do coração. Isso não ocorre na apneia obstrutiva do sono, o que pode resultar em hipertensão arterial e enfartes ou acidente vascular cerebral (AVC).

Mudanças de personalidade, perda de memória e capacidade de concentração, acidentes de automóvel e impotência sexual podem ser outros problemas decorrentes da doença, de acordo com a intensidade da apneia. Contudo, a maior complicação é, sem dúvida, a diminuição da qualidade de vida, em razão da privação do sono desses indivíduos.

A ausência do tratamento da apneia do sono pode provocar falhas no coração, que precisa bombear mais sangue para compensar a falta de oxigênio causada pelas repetidas interrupções na respiração, mas seu rendimento é prejudicado pela pressão alta.

O tratamento envolve uma equipe multidisciplinar e a cooperação do paciente através de mudanças no estilo de vida. A perda de peso ajuda a reduzir o número de episódios de apneia que acontecem a cada noite. A atividade física, além de ajudar na redução de peso, também contribui para um sono mais saudável. Dormir e acordar em horários regulares também colabora com o ciclo completo do sono, assim como deitar de lado. Dormir de costas pode piorar a apneia, por causa do efeito da gravidade sobre as vias aéreas superiores. Evitar o fumo e o álcool também ajuda a minimizar os efeitos nocivos desse problema.

Se todas essas mudanças não melhorarem a apneia, outros tratamentos podem ser recomendados. Em alguns casos, o uso de uma máscara adaptada ao nariz e a boca é recomendado. Essa máscara promove a chamada “ventilação com pressão positiva contínua”. O aparelho mantém uma pressão constante nas vias aéreas, fazendo com que a garganta fique sempre aberta durante o sono. Esses aparelhos são conhecidos como CPAP e nos casos de apneia grave devem ser usados todas as noites.

Uma outra forma de tratamento nas apneias leves são os aparelhos noturnos dentários moldados e confeccionados por dentistas. Os dispositivos orais funcionam projetando a mandíbula e evitando que a língua caia durante o sono e obstrua a garganta.

Contudo, nos casos mais graves, algumas técnicas cirúrgicas também podem ser utilizadas para melhorar significativamente ou até mesmo promover a cura desses indivíduos. Dependendo do local da obstrução da via aérea diversas técnicas podem ser utilizadas. A avaliação detalhada, o diagnóstico e o plano de tratamento devem ser feitos por uma equipe multidiscipinar composta por neurologista, otorrinolaringologista e cirurgião buco-maxilo-facial.

A uvulopalatofaringoplastia (remoção dos tecidos em excesso na garganta), a remoção das amígdalas e da adenoide, a correção de desvio de septo e a cirurgia ortognática (correção das assimetrias dos ossos da face) são os procedimentos cirúrgicos mais comuns.

A cirurgia ortognática é um dos procedimentos cirúrgicos que possui maior taxa de sucesso, mas não é indicado para todos os pacientes. Apenas um cirurgião buco-maxilo-facial qualificado é capaz de avaliar cuidadosamente a aplicação desse tratamento.

É importante lembrar que todo procedimento cirúrgico apresenta riscos e complicações, por isso só são indicados em casos mais graves e em alguns pacientes selecionados. O importante é sempre conversar com um profissional experiente na área, porque cada caso exige um atendimento personalizado.