O câncer bucal é uma doença séria e que pode levar à morte. Os principais fatores de riscos são o uso prolongado de tabaco, o consumo de bebida alcoólica, traumatismos crônicos, vírus HPV (vírus do papiloma humano) e a exposição solar em excesso.

Essa designação genérica se refere a todas as neoplasias malignas que atingem a região da boca. A mais comum é o Carcinoma Epidermóide, que incide principalmente no lábio inferior – região mais afetada pela exposição solar –, na parte lateral da língua e sob a língua, no chamado assoalho bucal – regiões afetadas pelo tabaco e pelo álcool.

O cigarro atinge diretamente a saúde bucal. O uso do tabaco é responsável por 80 a 90% das causas de câncer bucal. O tabaco também é responsável por casos de câncer na laringe, na garganta e no esôfago.

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas aumenta o risco de câncer bucal e a combinação fumo/álcool torna esse risco ainda muito maior. O álcool potencializa a ação dos carcinógenos do cigarro.

Estudos mostram que o câncer bucal atinge mais indivíduos do sexo masculino acima dos 40 anos de idade. Mas o uso do tabaco e do álcool pelas mulheres tem resultado num número maior de casos de câncer de boca no sexo feminino, assim como o excesso de exposição ao sol.

Além do cigarro e do álcool, existem outros fatores de risco para o câncer de boca. Pessoas com idade acima dos 40 anos ou que fazem uso de próteses dentárias devem consultar o dentista regularmente, e não apenas no caso de dor ou de alguma outra restrição, porque o câncer de boca em geral não dói. A idade é um fator de risco, assim como as infecções pelo HPV. Próteses mal ajustadas, piercings na região bucal, dentes ásperos ou obturações podem provocar irritações crônicas, outro fator de risco.

Como as pessoas não notam ou simplesmente ignoram os sintomas iniciais, a doença muitas vezes se espalha antes de ser detectada. O principal sintoma é o aparecimento de feridas na boca que demoram mais de uma semana para cicatrizar. Outros sintomas são ulcerações superficiais e indolores com ou sem sangramento e manchas esbranquiçadas ou avermelhadas nos lábios ou na mucosa bucal.

Dificuldade para mastigar e engolir, emagrecimento acentuado, dor e presença de caroço no pescoço podem ser sintomas de casos mais avançados. Os sinais nem sempre são fáceis de serem visualizados. Por isso, o exame rotineiro da boca feito por um profissional de saúde pode diagnosticar lesões iniciais que, tratadas precocemente, podem apresentar um bom prognóstico.

Geralmente, o profissional só é consultado quando aparecem dificuldades para falar e engolir ou formigamento no rosto. Nesses casos, o câncer já invadiu estruturas profundas e o tratamento e o prognóstico já estão comprometidos. Devido à periodicidade dos indivíduos em realizar consultas para avaliações da saúde bucal, o cirurgião-dentista tem um papel fundamental no diagnóstico e encaminhamento para tratamento desses pacientes.

Cirurgiões de cabeça e pescoço e oncologistas são os profissionais mais habilitados para o tratamento desses indivíduos. Os cirurgiões buco-maxilo-faciais atuam em conjunto com esses profissionais no tratamento reabilitador funcional dos pacientes.

Segundo o Dr. Rogério Dedivitis (Professor Livre Docente em Cirurgia de Cabeça e Pescoço), o tratamento é sempre analisado para cada caso. A cirurgia geralmente é a mais indicada, dependendo da localização do tumor, e pode estar associada com a radioterapia. Os resultados costumam ser positivos nas lesões iniciais, com cura em cerca de 80% dos casos.

Nas lesões mais graves, a cirurgia também pode ser indicada, assim como a radioterapia, mas os resultados vão depender de sua extensão. A cirurgia radical do câncer de boca teve grande evolução com a incorporação de técnicas de reconstrução imediata, mas as deformidades ainda são grandes e o prognóstico intermediário.

Nos casos mais graves, quando a cirurgia não é mais possível, a quimioterapia é empregada em associação com a radioterapia.